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BAHIA - Festas Populares |
Toda a fé do baiano se manifesta no ciclo de festas populares, desde as
comemorações dos orixás do candomblé - quando todos os "terreiros"
da cidade batem seus tambores para seus filhos-de-santo dançarem - até as
festas da religião católica, que ganham um cunho profano com muito samba-de-roda
e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas. Em paralelo, as
bandas de axé music, de pagode, cantores e cantoras de blocos carnavalescos
realizam, quase todos os dias, shows e ensaios em clubes sociais e áreas
externas em diversos pontos de Salvador. Esse clima de festa impregna toda a
cidade, desde a manhã até a noite, principalmente durante o Verão.
O ano já começa com a procissão marítima do Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes, na qual centenas de embarcações de todos os tipos singram a Baía de Todos os Santos levando a imagem do Bom Jesus da igreja da Conceição da Praia para a capela da Boa Viagem, num belíssimo cortejo de fé.
Depois, vem uma seqüência de festejos, entre os quais destaca-se a Lavagem do
Bonfim, uma quilométrica procissão, com todos vestidos de branco, entre a
igreja da Conceição e a do Bonfim, no alto da Colina Sagrada. Fazendo jus à máxima
de que "quem tem fé vai à pé", a cada ano cerca de 800 mil pessoas
garantem a grandiosidade desse evento religioso. Ao chegarem, baianas vestidas
tipicamente despejam seus vasos com água de cheiro no adro da igreja e sobre as
cabeças dos fiéis, num ritual de fé e esperança.
É, também, destaque, por atrair milhares de fiéis de outras regiões do País, a Festa de Iemanjá, dia 2 de fevereiro, quando os adeptos do candomblé homenageiam a Rainha do Mar, simbolizada numa sereia. A festa acontece no bairro do Rio Vermelho, uma poderosa manifestação de fé na força da Mãe d'Água, que tem seu desdobramento profano nas barracas padronizadas, onde a crença se transforma em samba. Vale a pena deixar ali uma oferenda para Iemanjá, acompanhada de um pedido.
Porém, o grande clímax festivo da Bahia é mesmo o Carnaval, um delírio de
massas que já se estende por sete dias, desde a quarta-feira até a manhã da
quarta-feira de Cinzas. A maior festa do mundo em participação popular, que
toma toda a cidade de foliões - fantasiados e pulando como "pipoca"
atrás dos trios independentes, ou vestidos nos abadás e becas de seus blocos
preferidos, rumo aos diversos circuitos carnavalescos:
Há o circuito central, do Campo Grande à Praça Castro Alves; outro, na orla, sentido Barra-Ondina; e o mais tradicionalista, do Pelourinho à rua Chile, no Centro Histórico. Neste circuito, o forte é a música das bandinhas de sopro e percussão, os blocos afros, afoxés e os fantasiados e, nos demais, desfilam os grandes blocos, com seus possantes trios elétricos, uma criação dos baianos Dodô e Osmar que virou mania em todo o Brasil.